(Este
texto não foi escrito ao abrigo do Acordo Ortográfico)
A provação que o calor de verão impõe
aos animais e plantas do PNSAC é imensa e sublinhada pelas condições orográficas,
pedológicas e climáticas. No entanto, os extremos de desidratação e os
pináculos de temperatura são meramente uma interpretação humana, sendo que a
Vida segue estoicamente o seu percurso pelas ásperas encostas e planícies do
parque.
A primavera aqui é anunciada cedo pelo
zumbido dos insectos, ainda sob o tamborilar da chuva na dura folhagem desta
estepe arbustiva dominada por carrascos e aroeiras. Trata-se de um paraíso para
as aves, desde as andorinhas aos estorninhos e às perdizes, e aqui nidifica uma
infinidade de espécies, incluindo o grande corvo e localmente a garça-real. Por
vezes observa-se ainda a leveza do voo da águia-cobreira ou a silhueta
arredondada da icónica gralha-de-bico-vermelho. Estas últimas enchem o ar com
os chilreios típicos, e durante a noite podem escutar-se os sons característicos
das rapinas nocturnas.
Chegado o mês de Setembro, quando o
jugo do sol sobre o solo ressequido começa a abrandar e as preciosas
águias-calçadas iniciam o rumo aos seus quartéis de inverno em África, logo surgem
nos trilhos do parque as ímpares flores da espécie de açafrão mais temporã.
Esta eloquente planta, denominada Colchicum
montanum (ou Merendera montana),
na qual apenas a flor desponta acima da superfície do solo, dá uma eloquente
nota de cor, suavidade e requinte à paisagem agreste dominada por calcários.








